Mercados de previsão: como funcionam e qual é a situação regulatória no Brasil

Mercados de previsão (prediction markets) são plataformas onde se negociam contratos de sim ou não sobre eventos futuros, e o preço, entre 0 e 1, funciona como probabilidade estimada. No Brasil, a MP 1.394/2026 proíbe apostas de quota fixa, e uma nota técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) concluiu que as plataformas analisadas reproduzem elementos dessa modalidade.

O conteúdo é informativo e regulatório: não é aconselhamento jurídico nem convite para operar.

Painel em vidro escuro detalhando o funcionamento de contratos de mercados de previsão com probabilidades em estilo halftone prateado.

Resumo rápido

  • O preço é a leitura dos participantes, não uma garantia: o valor efetivo pode se afastar do percentual da tela, e o resultado sai das regras escritas do mercado.
  • O texto da MP 1.394/2026 não cita mercados de previsão; a ligação com eles vem da análise da SPA na NT 2958/2026.
  • A NT é uma recomendação interna: nas fontes oficiais consultadas não foi localizada ordem de bloqueio publicada com base nela.

Interface de aplicativo em celular central com cards sobre resolução de oráculos e aspectos regulatórios de mercados de previsão no Brasil.

Contrato sim ou não: a peça básica de um mercado de previsão

A posição vencedora recebe um valor fixo na resolução, e a perdedora fica sem valor. A pergunta se refere a um evento futuro e incerto, com prazo e critério definidos. É essa estrutura de eventos binários que a Nota Técnica SEI 2958/2026 da SPA descreve.

Pela documentação das próprias plataformas, na Kalshi um contrato vale US$ 1,00 para quem acertou, e na Polymarket as posições vencedoras são resgatáveis por US$ 1,00 após a resolução. A NT observa que esse valor se aplica a quem mantém a posição até o encerramento, enquanto o preço para novas negociações oscila.

Exemplo com números fictícios: num mercado sobre “o evento X acontece até a data D?”, um participante compra “sim” por US$ 0,40. Se o evento acontecer, o contrato passa a valer US$ 1,00; se não, vale zero. O exemplo ignora taxas.

Por que o preço vira probabilidade (e o que ele não garante)

Como o contrato paga US$ 1,00 no acerto, um preço de US$ 0,30 equivale a 30% de chance na visão dos participantes, sem nenhuma garantia de resultado. Polymarket e Kalshi, em suas documentações, descrevem o preço como reflexo da leitura do mercado sobre as chances do evento.

Essa conta tem limites. O número exibido costuma ser o ponto médio do spread, a distância entre a melhor oferta de compra e a de venda no livro de ofertas. Quem compra paga o preço pedido (ask) e quem vende recebe o maior lance (bid), por isso o valor efetivo pode se afastar do percentual da tela.

Quem decide o resultado: regras, fonte e oráculo

O resultado sai das regras escritas do mercado, e o título apenas resume a pergunta. Na Polymarket, um oráculo valida a proposta, com prazo para contestação antes do pagamento. A documentação da plataforma descreve esta sequência:

  1. A plataforma publica a pergunta e as regras, com fonte, prazo e casos-limite.

  2. Depois do evento, alguém propõe o resultado ao oráculo, o UMA Optimistic Oracle.

  3. Abre-se uma janela de contestação de 2 horas, em que qualquer pessoa pode questionar a proposta.

  4. Se houver disputa, a resolução pode levar de 4 a 6 dias e chegar a uma votação entre detentores do token UMA.

  5. Encerrado o processo, os contratos vencedores passam a valer US$ 1,00 e os perdedores ficam sem valor.

Um detalhe pesa: a Polymarket pode publicar um “Additional context” com a negociação já em andamento, e esse esclarecimento conta para quem propõe e para quem vota o resultado.

Negociação secundária: o contrato muda de mãos antes do desfecho

Antes da resolução, a posição pode ser vendida a outro participante pelo livro de ofertas, ao preço da melhor oferta de compra naquele momento. Essa é a negociação secundária: o contrato troca de dono enquanto a pergunta segue em aberto.

A documentação da Polymarket informa que as ordens passam por um livro central (central limit order book) e que os preços se formam pela oferta e pela demanda dos usuários. Quem sai antes pode receber bem menos do que pagou, e com pouca liquidez a distância entre compra e venda tende a crescer. Esses conceitos aparecem de forma geral no guia sobre ordens, spread e liquidez.

Já a NT 2958/2026 registra que as empresas do setor se apresentam como intermediárias entre participantes (peer-to-peer) e são remuneradas por comissão.

Prediction markets, casas de apostas e bolsas de apostas: o que muda na estrutura

Na casa de apostas, em geral, o operador fixa a quota. No mercado de previsão o preço vem dos participantes, mas a SPA avalia a estrutura.

CritérioMercado de previsãoCasa de apostas de quota fixaBolsa de apostasDerivativo em mercado organizado
Quem forma o preçoParticipantes, via livro de ofertasEm geral, o operador (NT)Apostadores entre si (NT)Negociação no mercado
Pagamento no acertoValor fixo por contrato (NT)Prêmio por fator de multiplicação (MP, art. 3º, I)Multiplicador definido entre apostadores (NT)Varia conforme o contrato
Saída antecipadaVenda da posição a preço de mercadoCash out (NT)Cash out (NT)Varia conforme o contrato
Ganho da plataformaComissão (NT)Varia conforme o operadorComissão (NT)Varia conforme o contrato
Função de proteção (hedge)Ausente em contratos esportivos (NT)Não citadaNão citadaTípica (NT)
Enquadramento oficialReproduz elementos da quota fixa (NT)Proibida pela MP 1.394/2026Modalidade de quota fixa (NT)CVM só registra contratos sobre variáveis financeiras (NT)

(NT) = segundo a Nota Técnica SEI 2958/2026, inclusive quando cita portarias da SPA ou a CVM.

A NT relata a defesa das plataformas: operação entre pares mediante comissão, preços dinâmicos e negociação de posições. A SPA rejeitou o argumento: para ela, o enquadramento como aposta de quota fixa decorre dos elementos estruturais, qualquer que seja o nome, em especial o valor colocado em risco na expectativa de um prêmio definido de antemão. Já a MP define aposta de quota fixa como o ato em que se coloca valor em risco na expectativa de prêmio cujo montante é definido por fator de multiplicação (art. 3º, I). Vender a posição antes da resolução, compara a nota, tem paralelo no cash out das apostas de quota fixa e não muda a natureza da operação.

Onde entram os derivativos financeiros

A semelhança de formato existe: derivativos financeiros também se ligam a eventos ou variáveis futuras. A diferença, segundo a NT 2958/2026, está na função. Contratos sobre eventos esportivos não revelam a função típica de proteção (hedge) dos derivativos tradicionais, e eventos políticos, sociais, culturais ou climáticos em regra não têm significado econômico direto.

A nota reproduz a informação da CVM: os mercados organizados registram somente contratos de eventos sobre variáveis financeiras, como juros, índices de preços e câmbio. Em décadas de mercado de capitais, acrescenta o documento, a CVM não autorizou derivativos sobre eventos sem esse fundamento econômico.

Brasil: qual é a posição oficial hoje

Segundo o Ministério da Fazenda, em 13/10/2026, a MP 1.394/2026 proíbe em todo o território nacional a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa, como detalha a explicação do Ministério da Fazenda sobre a MP 1.394/2026. Mercados de previsão foram analisados antes, na NT 2958/2026 da SPA.

DataDocumento e o que ele faz
23/04/2026NT SEI 2958/2026 (SPA/MF): análise das plataformas e recomendação de bloqueio
25/09/2026MP 1.394/2026 publicada, em vigor desde a publicação segundo o texto no Planalto
28/09/2026Decreto 13.128/2026 regulamenta o comitê interinstitucional de fiscalização
02/10/2026Explicação das regras publicada pelo Ministério (atualizada em 07/10/2026)
06/10/2026Segundo o Ministério, sites e aplicativos de apostas de quota fixa devem ficar indisponíveis

O que a MP 1.394/2026 proíbe e o que o texto não cita

A MP proíbe apostas de quota fixa sobre esportes e jogos on-line; o texto não cita mercados de previsão, Polymarket nem Kalshi. Pelo texto da Medida Provisória nº 1.394/2026 no Planalto, a proibição vale em todo o território nacional, em meio físico ou virtual. O art. 1º, § 1º, define o alcance: eventos reais de temática esportiva e eventos virtuais de jogos on-line. Segundo o Ministério da Fazenda, a regra alcança agentes no exterior que atendam pessoas no Brasil, e as demais modalidades lotéricas autorizadas por lei ficam de fora.

A exposição de motivos da MP também não menciona essas plataformas. A ligação com elas vem da análise da SPA, descrita a seguir.

A Nota Técnica SEI 2958/2026: conclusão e recomendação da SPA

A NT concluiu que as plataformas analisadas reproduzem elementos de aposta de quota fixa e recomendou bloquear o acesso de brasileiros a elas. A Nota Técnica SEI nº 2958/2026 (PDF no gov.br) foi elaborada pela Coordenação-Geral de Regulação da SPA, assinada em 23/04/2026 e acompanhada do “de acordo” da secretária e do secretário adjunto de Prêmios e Apostas. A nota se apoia em consultas à CVM e à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e numa manifestação do Ministério do Esporte. Kalshi e Polymarket aparecem como exemplos do setor.

Na conclusão, a nota diz que essas plataformas “simplesmente reproduzem os elementos essenciais das apostas de quota fixa”.

No item 73, a nota entende que as plataformas com contratos sobre eventos esportivos e sobre “outras temáticas diversas de econômico financeiras” exploram apostas de quota fixa de forma ilegal e sugere que o acesso de brasileiros a elas seja bloqueado pela própria secretaria. A expressão entre aspas está transcrita como na nota e admite mais de uma leitura; este texto não a interpreta.

Atenção: a nota é uma análise interna com recomendação; nas fontes oficiais consultadas não foi localizada ordem de bloqueio publicada com base nela.

Bloqueio, bancos, publicidade e multas: quem responde pelo quê

A MP prevê bloqueio de sites, veta transações bancárias e publicidade e multa provedores e lojas de aplicativos.

  • Bloqueio (art. 23): Fazenda e Justiça podem pedir o bloqueio ou o redirecionamento de sites que ofertem apostas de quota fixa. A Anatel recebe e distribui as ordens às operadoras de conexão, e o CGI.br recebe as ordens sobre a resolução de nomes do domínio .br.
  • Pagamentos (art. 14): bancos e instituições de pagamento não podem processar transações dessas apostas, conforme regulamentação do Banco Central.
  • Publicidade (arts. 16 e 18): a vedação inclui conteúdo que facilite o acesso a essas apostas pelo público brasileiro, e o descumprimento é publicidade abusiva pelo Código de Defesa do Consumidor.
  • Provedores, lojas e sistemas operacionais (arts. 19 e 21): provedores devem impedir a circulação desse conteúdo; lojas de aplicativos e sistemas operacionais devem impedir a disponibilização dos produtos vedados.
  • Sanções (art. 22): a quem descumprir os arts. 19 a 21, o Ministério da Justiça pode aplicar advertência, multa de até 10% do faturamento do grupo no Brasil no último exercício (sem faturamento, de R$ 10 a R$ 1.000 por usuário cadastrado, com teto de R$ 50 milhões por infração), multa diária e, na reincidência ou no descumprimento reiterado, suspensão ou proibição das atividades.

O Decreto nº 13.128/2026 regulamenta um comitê coordenado pela Casa Civil, com Banco Central, COAF e Anatel entre os membros. Cabe ao comitê manter cadastro unificado de domínios, aplicativos e contas bancárias ou de pagamento e definir protocolos para bloqueio, interrupção de fluxos financeiros e retirada de publicidade.

Quatro frentes de risco: consumidor, integridade, PLD/AML e informação

A NT 2958/2026 e a documentação da Polymarket permitem organizar os riscos em quatro frentes: proteção do consumidor, integridade dos eventos, lavagem de dinheiro e informação usada para definir resultados.

Consumidor: o que a SPA diz que falta em jogo responsável

A NT aponta que as plataformas analisadas, em geral, não se submetem a regras equivalentes às de jogo responsável da SPA, e lista o que falta: limites de gasto e perda, autoexclusão, identificação de comportamento de risco e restrição a menores. Também registra a possibilidade de pagar com cartão de crédito, que, para a SPA, potencializa o endividamento. A própria Kalshi avisa que o participante pode perder o valor de entrada de uma operação, incluindo taxas.

Integridade: esporte, eleições e eventos que alguém pode influenciar

A NT reproduz a avaliação do Ministério do Esporte: sem rastreabilidade e sem regras que impeçam a participação de quem influencia o resultado, cria-se “um incentivo perverso para a corrupção esportiva”. Em eventos não econômicos, segundo a nota, o risco de manipulação cresce, porque faltam estruturas de controle e os próprios participantes podem interferir no desfecho. Sobre eleições, a SPA lembra que a Resolução TSE 23.735/2024 enquadra apostas ligadas a resultados eleitorais como ilícito eleitoral.

PLD/AML: por que identificação e monitoramento importam

Para a SPA, a falta de identificação de usuários (KYC), de monitoramento de operações e de comunicação de operações suspeitas aumenta o risco de lavagem de dinheiro. No regime das apostas de quota fixa, a MP 1.394/2026 não afasta, após o fim das autorizações, os deveres de prevenção à lavagem e de guarda de registros relativos ao período em que o operador esteve autorizado, e prevê troca de informações entre Polícia Federal, Receita Federal e COAF. Na própria documentação, a Polymarket cita exigências de AML e KYC entre os motivos de suas restrições geográficas.

Risco de informação: insider, regras ambíguas e resultado contestado

Quem sabe antes do resultado leva vantagem, e a NT registra relatos de uso de informação privilegiada e de comportamento oportunista nessas plataformas. O outro risco nasce das regras: o texto de resolução pode ser lido de mais de uma forma, receber esclarecimento depois do início da negociação ou passar por disputa no oráculo, e isso pode atrasar o pagamento por dias.

Polymarket e Kalshi: o que os exemplos internacionais mostram

Kalshi e Polymarket são os exemplos citados pela SPA, e a NT 2958/2026 relata medidas contra elas nos EUA e em países europeus. A Kalshi se descreve como bolsa regulada de contratos sobre resultados de eventos, supervisionada nos Estados Unidos pela CFTC como Designated Contract Market (DCM). Na documentação da Polymarket sobre restrições geográficas, consultada na mesma data de verificação desta página, o Brasil está em close-only no frontend e na API: não é possível abrir novas posições; o regime permite fechar posições existentes. Isso descreve a política publicada pela plataforma, não uma conclusão deste texto sobre a legalidade de fechar posições.

Também pelo relato da NT, tribunais de Massachusetts e de Nevada mantiveram decisões de reguladores estaduais que vedaram contratos esportivos da Kalshi. Na França, a ANJ obteve a cessação da oferta da Polymarket. Em Portugal, o SRIJ declarou a atividade ilegal e, diante do descumprimento, promoveu o bloqueio do acesso por meio das operadoras, e nos Países Baixos a KSA exigiu em 2026 o fim da oferta. A nota diz ainda que o regulador britânico trata mercados de previsão como apostas no formato de bolsa de apostas.

Como ler uma notícia sobre mercados de previsão no Brasil

Confira o tipo de documento, a data, se o texto cita mercados de previsão e se há ordem publicada ou só recomendação. Cinco perguntas ajudam a separar a MP da nota técnica:

  • Que tipo de documento é: medida provisória, decreto, nota técnica ou portaria?
  • Qual é a data, e houve atualização depois?
  • O texto cita mercados de previsão pelo nome ou trata de apostas de quota fixa em geral?
  • Existe ordem publicada ou apenas recomendação?
  • A fonte é o Planalto ou o gov.br do Ministério da Fazenda?

Como a regra pode mudar, a versão em vigor no Planalto ou no gov.br é a referência para qualquer conclusão.

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FAQ

As perguntas que todo mundo faz

Última atualização:

Prediction market é a mesma coisa que aposta?

Para a SPA, na NT 2958/2026, as plataformas analisadas reproduzem os elementos essenciais da aposta de quota fixa, porque conta a estrutura, qualquer que seja o nome. Segundo a nota, as plataformas alegam operar entre pares, com preço dinâmico.

A MP 1.394/2026 cita a Polymarket ou a Kalshi pelo nome?

Não. O texto trata de loterias de aposta de quota fixa sobre esportes e jogos on-line e não menciona mercados de previsão. Quem faz essa ligação é a SPA, na NT 2958/2026.

A Nota Técnica 2958/2026 é uma ordem de bloqueio?

Não. É uma nota técnica interna da SPA, de 23/04/2026, que enquadra as plataformas analisadas como aposta de quota fixa e recomenda o bloqueio do acesso. Nas fontes oficiais consultadas, não foi localizada ordem de bloqueio publicada com base nela.

O preço de um contrato mostra a chance real de o evento acontecer?

Mostra a estimativa coletiva dos participantes naquele momento, sem garantir o resultado. O número muda com novas ofertas e pode diferir do valor que se consegue de fato negociar, por causa do spread.

Quem resolve um mercado quando a pergunta é ambígua?

Valem as regras escritas, acima do título. Na Polymarket, um oráculo valida a proposta de resultado, com prazo para contestação, e uma disputa pode levar dias.

Mercado de previsão é um derivativo regulado pela CVM?

Segundo a NT 2958/2026, a CVM informou que os mercados organizados registram apenas contratos sobre variáveis financeiras. A SPA, por sua vez, concluiu que as plataformas analisadas reproduzem os elementos da aposta de quota fixa.

O que a SPA diz sobre o mercado de previsão Polymarket?

A NT 2958/2026 cita a Polymarket, ao lado da Kalshi, como exemplo do setor analisado. Na documentação da Polymarket, o Brasil está em close-only no frontend e na API: não é possível abrir novas posições, e o regime permite fechar posições existentes. É a política publicada pela plataforma, não uma conclusão deste texto sobre a legalidade de fechar posições.

Andrew Urquhart

Author

Andrew Urquhart

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Andrew Urquhart é professor de Finanças e Tecnologia Financeira na University of Birmingham. Sua pesquisa é focada em criptomoedas, fintech, blockchain, mercados financeiros e ativos digitais. Ele publicou diversos estudos acadêmicos sobre Bitcoin, eficiência dos mercados de criptomoedas e comportamento dos investidores.

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