Stablecoins: o que são, tipos, USDT vs USDC e usos no mercado cripto

Stablecoins são ativos virtuais feitos para acompanhar o valor de uma moeda de referência, como o dólar. Entender o que são stablecoins começa pelo que sustenta esse vínculo: reservas do emissor, colateral em cripto ou regras de algoritmo.

Aqui a stablecoin aparece como classe de ativo: tipos de lastro, resgate, USDT vs USDC, depeg, versões em euro e real e uso em trading. Cotação, compra e venda do USDT têm página própria.

Segundo o sparkl.ing, o Sparkling é um app de trading com um agente. Este texto é informativo, sem recomendação de investimento.

Dois celulares e um painel central mostrando cotações e monitoramento de paridade de stablecoins como USDT e USDC sobre fundo pontilhado de dunas.

Resumo rápido

  • A paridade é um objetivo do emissor: nada garante 1 dólar no dia da venda, e nenhuma stablecoin é livre de risco.
  • No varejo, a saída costuma ser vender no mercado secundário, ao preço do momento.
  • “Dólar digital” é linguagem de mercado, não moeda de curso legal.

Smartphone volumoso e painel de análise detalhando estruturas de lastro e riscos de descolamento de stablecoins com farol pontilhado ao fundo.

Stablecoin: o que é, pela definição do Banco Central

Para o Banco Central, stablecoin é um ativo virtual lastreado em ativos de reserva, criado para manter o valor vinculado a uma moeda fiduciária. O nome técnico usado pela autarquia é ativo virtual referenciado em moeda fiduciária, e a definição de stablecoin na Resolução BCB 520 está no art. 2º, inciso II.

Já o inciso seguinte diz o que conta como ativo de reserva: a moeda fiduciária e os títulos públicos emitidos pelos mesmos governos que emitem essa moeda.

Dois termos da definição pedem atenção. Lastreada se refere ao que o emissor diz manter em reserva para sustentar os tokens em circulação. Paridade (o peg, no jargão do mercado) é a relação de valor que ele pretende manter, por exemplo 1 token para 1 dólar. Nenhum dos dois fixa o preço que você paga ou recebe: esse preço se forma no mercado e pode se afastar da referência.

Fiat, cripto ou algoritmo: quem sustenta a paridade em cada tipo de stablecoin

Na stablecoin lastreada em fiat, o emissor sustenta a paridade com reservas; na lastreada em cripto, o colateral excedente; na algorítmica, regras e incentivos. Essa divisão em três categorias, conforme o lastro e a forma de emissão, vem da nota do Federal Reserve sobre mercados primário e secundário de stablecoins, publicada em 23/02/2024.

TipoO que fica como lastroQuem ou o que mantém a paridadePonto sensível (nossa leitura)
Lastreada em moeda fiduciáriaCaixa e equivalentes: depósitos, títulos do Tesouro, commercial paperUm emissor centralizado, que emite tokens contra reservas mantidas fora da blockchainAcesso à reserva e confiança no emissor
Lastreada em cripto (sobrecolateralizada)Criptoativos, em geral em valor acima do que foi emitidoContratos inteligentes que liquidam o colateral quando ele cai abaixo de um limiteQueda forte do colateral, que aciona a liquidação
AlgorítmicaPouco ou nenhum colateral, por desenhoRegras de oferta e incentivos programadosConfiança no próprio mecanismo

No olhar do Fed, as stablecoins lastreadas em fiat costumam ser centralizadas: uma empresa emite os tokens na proporção das reservas que guarda fora da blockchain. A estabilidade, então, depende do que existe nessa reserva e de o emissor conseguir movimentá-la quando os detentores querem sair.

Com lastro em cripto, a lógica muda. A garantia é outro criptoativo, e o sistema costuma exigir colateral acima do valor emitido, por isso a stablecoin é chamada de sobrecolateralizada. No exemplo do Fed (2024), alguém deposita US$ 150 em ETH para receber 100 Dai. Se o colateral cai abaixo de um limite, contratos inteligentes liquidam a garantia.

A algorítmica é, nas palavras do Fed, a categoria mais difícil de definir. Ela tem pouco ou nenhum colateral por desenho, e a paridade fica a cargo de contratos inteligentes e incentivos. Quando a garantia é um ativo do próprio sistema, o Fed associa o desenho a espirais de queda rápidas, tema que volta no caso da Terra, na parte sobre depeg.

Resgate primário e mercado secundário: quem troca direto com o emissor

Clientes institucionais, em geral, são os que resgatam direto com o emissor; quem compra no varejo sai da stablecoin vendendo no mercado secundário, ao preço do momento. Essa separação muda bastante o que a palavra paridade significa para você.

No mercado primário, o emissor cria tokens quando recebe dinheiro e os retira de circulação quando devolve. Pelo que descreve o Fed, emissores de stablecoins lastreadas em fiat costumam fazer isso apenas com clientes institucionais. As regras mudam de um emissor para outro. A Tether diz que seus tokens podem ser resgatados em moeda fiduciária conforme os termos de serviço dela. A Circle é mais explícita. Na página do USDC na Circle, a empresa informa que o Circle Mint, canal de emissão e resgate direto, não está disponível para pessoas físicas nem para pequenas empresas. No caso do EURC, a Circle diz que o Mint atende empresas qualificadas e distribuidores atacadistas.

Entre usuários, o token troca de mãos no mercado secundário. Pessoas físicas, informa a Circle, podem acessar o USDC por exchanges, neobancos e carteiras digitais. Ali o preço sai da oferta e da procura de quem está negociando naquele momento.

Na prática, a paridade que o emissor declara não vira um direito de resgate seu. Se o mercado paga menos que 1 dólar, você recebe menos, por mais sólida que a reserva pareça no papel.

USDT vs USDC: o que a Tether e a Circle declaram sobre reserva e relatórios

USDT e USDC são stablecoins em dólar com emissores, composição de reserva e ritmo de divulgação diferentes, conforme o que cada emissor publica. O USDT é emitido pela Tether; o USDC, pela Circle. A tabela usa só o que as duas empresas publicam, a exemplo das perguntas frequentes da Tether e da página de transparência da Circle, páginas consultadas em 13/10/2026.

Ponto de comparaçãoUSDT, segundo a TetherUSDC, segundo a Circle
Paridade declarada1 para 1 com a moeda fiduciária correspondente, com lastro de 100% nas reservas da TetherResgatável 1:1 por dólares americanos
Composição da reservaMoeda tradicional, equivalentes e outros ativos, incluindo créditos de empréstimos feitos a terceiros; bitcoin e ouro mantidos como proteção contra a inflação, com a ressalva de que o bitcoin é volátilCaixa e equivalentes de alta liquidez, com a maior parte no Circle Reserve Fund (USDXX), fundo registrado na SEC
DivulgaçãoRelatórios de reservas trimestrais; tokens em circulação publicados em geral todo dia, sem compromisso com intervalo de atualizaçãoComposição da reserva divulgada semanalmente
Verificação externaRelatórios preparados pela BDO ItaliaAsseguração mensal de uma firma Big Four de que a reserva supera o USDC em circulação
Resgate diretoEm moeda fiduciária, conforme os termos de serviço da TetherPelo Circle Mint, que não atende pessoas físicas nem pequenas empresas

Pela descrição da própria Tether, a reserva do USDT inclui ativos além de caixa, como bitcoin, ouro e empréstimos. A Circle descreve uma reserva concentrada em caixa e equivalentes, com divulgação em calendário fixo. São modelos diferentes de reserva e de transparência, e nada nas duas páginas sustenta um ranking de segurança entre as moedas.

Valor, compra e venda, redes e carteira do USDT estão na página dedicada ao USDT e à Tether.

Dois tipos de depeg: falta de acesso à reserva ou falha de desenho

Depeg é quando o preço de mercado de uma stablecoin se afasta da moeda de referência. Ele pode nascer de dúvida sobre o acesso à reserva, como no USDC em 2023, ou do próprio desenho, como na Terra em 2022. Os dois casos estão documentados na mesma nota do Fed.

USDC, março de 2023: reserva presa em um banco

Em março de 2023, parte da reserva do USDC ficou presa no Silicon Valley Bank e o preço caiu abaixo de 90 centavos. Segundo o Fed (2024), em 10/03/2023 a Circle informou que não conseguia transferir cerca de US$ 3,3 bilhões das reservas do USDC, de um total de cerca de US$ 40 bilhões, antes de o banco ser fechado pelos reguladores.

USDC e Dai chegaram a ser negociados abaixo de 90 centavos no mercado secundário e se recuperaram ao longo de cerca de três dias. O Fed classifica o Dai como lastreado em cripto, e os dois caíram em um padrão muito parecido.

O episódio ensina que ter lastro não basta quando o acesso a ele fica em dúvida. O problema estava no banco onde parte do dinheiro estava depositada. Esse tipo de exposição se chama risco de contraparte.

Terra, maio de 2022: quando o próprio mecanismo cede

Para o Fed, a Terra era a maior stablecoin algorítmica antes do colapso, em maio de 2022. A mesma nota relaciona os desenhos em que o ativo de garantia é interno ao sistema a espirais de queda rápidas e marcantes, vistas em várias stablecoins algorítmicas.

Uma forma simples de ler isso: nesse tipo de desenho, o token e aquilo que deveria sustentá-lo dependem da confiança no mesmo sistema. Se ela vai embora, os dois lados enfraquecem juntos.

Os dois episódios têm origens opostas. No USDC, a dúvida era sobre o acesso a um lastro que existia. Na Terra, o ponto fraco estava no desenho.

Antes de confiar em uma stablecoin: riscos de emissor, reserva e contraparte em 7 perguntas

Antes de usar uma stablecoin, veja o que compõe a reserva, quem verifica, com que frequência, onde ela fica e quem pode resgatar. O risco de emissor vem de depender de uma empresa, dos termos e das decisões dela. A reserva traz outro tipo de risco, ligado à composição e à liquidez do que é declarado. A contraparte entra em cena quando esse dinheiro fica em bancos e fundos, como mostrou o caso do Silicon Valley Bank.

Atenção: nenhuma stablecoin é livre de risco. As perguntas abaixo ajudam a enxergar onde ele está, sem eliminá-lo.

  1. O que compõe a reserva, segundo o emissor?

    A Tether, por exemplo, inclui créditos de empréstimos a terceiros; a Circle cita um fundo registrado na SEC.

  2. Quem verifica, e com que tipo de trabalho?

    Relatório preparado por terceiro e asseguração são serviços diferentes de uma auditoria das demonstrações financeiras do emissor.

  3. Com que frequência a informação sai, e há compromisso de prazo?

    Divulgação semanal, mensal ou trimestral muda o quanto você enxerga entre um relatório e outro. A Tether diz não se comprometer com intervalo de atualização.

  4. Onde a reserva está guardada?

    Bancos, custodiantes e fundos são contrapartes. Se um deles trava, o lastro pode existir e mesmo assim ficar inacessível por dias.

  5. Quem pode resgatar direto, e em que termos?

    Quando o canal primário é só para institucionais, sua saída depende do mercado secundário.

  6. O emissor pode bloquear ou destruir tokens?

    A Tether informa que, em certas circunstâncias, pode apreender e destruir tokens remotamente a pedido de autoridades.

  7. Que proteção não existe?

    Pela ressalva da Circle, ativos digitais normalmente não têm status de moeda de curso legal nem cobertura de seguro de depósitos.

Stablecoin em dólar, euro ou real: o que muda com a moeda de referência

A moeda de referência define a unidade de estabilidade: dólar (USDT, USDC), euro (EURC) ou real (BRZ, BRLA, conforme os emissores). Escolher a âncora é escolher em que moeda o token tenta ficar parado.

USDT e USDC, os exemplos desta página, são stablecoins em dólar. Para quem vive no Brasil, há um detalhe fácil de esquecer: uma stablecoin estável em dólar continua variando em reais, porque o câmbio entre as duas moedas se move. A estabilidade vale na unidade de referência, e só nela.

De acordo com a página do EURC na Circle, o EURC é uma stablecoin lastreada em euro e resgatável 1:1 em euros pelo canal da própria emissora, voltado a empresas qualificadas. Para quem pensa em reais, a conta é a mesma do dólar: estável em euro, variável em real.

“Stablecoin brasileira” pode querer dizer duas coisas: um token atrelado ao real ou um token emitido por empresa brasileira.

Na primeira leitura entram o BRZ, que a Transfero descreve como lastreado 1:1 em reais, com resgate por meio de parceiros regulados, e o BRLA, que a Avenia diz manter com recursos em títulos públicos brasileiros e custódia regulada, com relatórios mensais. São declarações dos emissores. Nenhum desses tokens é moeda emitida pelo Banco Central, e a estabilidade em reais depende, como nas versões em dólar, da reserva e de quem a administra.

Por que o Banco Central passou a tratar a troca de stablecoins por PSAV como câmbio

Desde 02/02/2026, pela Res. BCB 521/2025, compra, venda ou troca de stablecoins em serviços prestados por PSAV integram o mercado de câmbio. PSAV é a prestadora de serviços de ativos virtuais: pela Lei 14.478/2022, a empresa que presta a terceiros serviços como a troca entre ativos virtuais e moeda nacional ou estrangeira. O Banco Central regula e supervisiona essas empresas por designação do Decreto 11.563/2023.

Essa regra está no art. 76-A, incluído pela Resolução BCB 521. Entram ali as operações de compra, venda ou troca de ativos virtuais referenciados em moeda fiduciária feitas no serviço de uma PSAV e, nos casos previstos, a transferência de ativo virtual para ou de uma carteira autocustodiada. Nessas transferências, a PSAV precisa identificar o titular da carteira.

Pela nossa leitura do texto, a regra mira o serviço prestado pela PSAV e não diz que toda transação com stablecoin, em qualquer contexto, seja operação de câmbio. Este resumo é informação regulatória e não substitui orientação jurídica.

Como stablecoins entram em trading, swaps e liquidação

Stablecoins servem, no trading, como par de negociação, caixa entre operações e unidade de liquidação. Nenhuma delas elimina riscos de emissor e de mercado.

Num par de negociação, a stablecoin em dólar pode ser o outro lado da operação: você compra ou vende um token cotado nela, e o resultado aparece numa unidade que não oscila como o ativo negociado.

Depois de fechar uma posição, dá para deixar o saldo em stablecoin até decidir o próximo passo. Isso reduz a exposição à volatilidade do token vendido, mas o saldo segue exposto ao emissor, à reserva e a um eventual depeg.

Ao liquidar, a stablecoin vira a unidade em que a operação é acertada: entrada, saída e resultado ficam expressos nela.

Trocar uma stablecoin por outro token, ou o caminho inverso, é um swap. Cotação, rota, slippage e bridges ficam na página sobre como funciona um crypto swap entre tokens e redes.

Exemplo com números fictícios: você fecha uma posição com 500 unidades de uma stablecoin em dólar. Uma semana depois, o saldo em dólar é o mesmo; em reais, mudou com o câmbio.

Onde o Sparkling entra nesse fluxo

O agente, segundo o sparkl.ing, prepara uma troca a partir de um pedido como “swap USDT to ETH”: você descreve a operação, ele monta a proposta e as taxas aparecem na cotação antes da assinatura. O tamanho é escolha sua, você confirma cada ordem e, ainda pelo site, o agente não tem acesso às suas chaves.

Comandos como “Swap 100 USDC to SOL” aparecem ali como exemplos. O sparkl.ing não publica uma lista de stablecoins suportadas, então confira o ativo e a rede antes de confirmar.

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FAQ

As perguntas que todo mundo faz

Última atualização:

Qualquer pessoa pode resgatar uma stablecoin 1:1 direto com o emissor?

Em geral, não. O Fed descreve emissão e resgate sobretudo com institucionais, e a Circle informa que o Circle Mint não atende pessoas físicas. Quem compra no varejo sai pelo mercado secundário.

"Dólar digital" é moeda de curso legal no Brasil?

Não. A Lei 14.478/2022 separa ativo virtual de moeda nacional e estrangeira, e a Circle ressalva que ativos digitais normalmente não têm status de moeda de curso legal.

Stablecoin algorítmica é o mesmo que stablecoin lastreada em cripto?

São modelos diferentes. A lastreada em cripto costuma manter colateral acima do valor emitido, liquidado por contratos inteligentes se cair abaixo de um limite. A algorítmica tem pouco ou nenhum colateral por desenho e depende de regras e incentivos; para o Fed, é a categoria mais difícil de definir.

Uma stablecoin pode ser considerada livre de risco?

Não. Há risco de emissor, de reserva, de contraparte e de depeg, e a Circle lembra que ativos digitais normalmente não têm cobertura de seguro de depósitos.

Comprar stablecoin no Brasil é operação de câmbio?

Depende de quem presta o serviço. Desde 02/02/2026, a Res. BCB 521 inclui no mercado de câmbio a compra, venda ou troca de stablecoins quando o serviço é prestado por PSAV. Isto é informação regulatória, não orientação jurídica.

Stablecoin em reais e stablecoin em dólar servem para a mesma coisa?

Medem valor em moedas diferentes. A em dólar tenta ficar estável em dólar e varia em reais; a em reais, como BRZ e BRLA segundo seus emissores, mira a estabilidade em reais. Riscos de emissor e de reserva existem nas duas.

O Sparkling tem uma lista de stablecoins suportadas?

Não publica. No sparkl.ing, USDT e USDC aparecem só em exemplos de comandos; antes de confirmar, confira o ativo e a rede e veja as taxas na cotação.

Andrew Urquhart

Author

Andrew Urquhart

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Andrew Urquhart é professor de Finanças e Tecnologia Financeira na University of Birmingham. Sua pesquisa é focada em criptomoedas, fintech, blockchain, mercados financeiros e ativos digitais. Ele publicou diversos estudos acadêmicos sobre Bitcoin, eficiência dos mercados de criptomoedas e comportamento dos investidores.

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